sábado, 14 de março de 2009

COMO SERÁ A VIDA ETERNA?


COMO SERÁ A VIDA ETERNA?


Todos querem saber o que "Vida Eterna" significa.
Não há cristão neste mundo que um dia não tenha indagado sobre o que seja a Vida Eterna.
Alguns se dão conta de sua grande importância, outros, pensando nisto apressadamente, acham que não é preciso perder tempo com tais idéias, imaginando que o tempo demora muito a passar e que preocupar-se com a Vida Eterna é para depois. “O céu pode esperar”, era o nome de um filme anos atrás. Pode mesmo? Esta é uma das questões da maior importância para nossa fé.
Como aprender o que seja a Vida Eterna?
Jesus Cristo lembrou que todos fomos criados para um dia vivermos com Deus para sempre.
As pessoas que o seguiam lhe pediam ajuda para poderem "alcançar a Vida Eterna", como o jovem rico (Mt 19,16). Todos foram instruídos por Jesus para aguardarem a Vida Eterna no fim da história: haverá uma Vida Eterna para os bons e uma Vida Eterna para os maus (Mt 25,46).
Os apóstolos, lembrando estes ensinos de Jesus, deixaram uma compreensão da Vida Eterna estreitamente relacionada com a salvação que o próprio Jesus nos trouxe: para merecer a Vida Eterna é preciso crer em Jesus (Jo 3,15; 4,14; 5,24; 6,40.47).
Antes de sua Encarnação o Filho de Deus já vivia na Vida Eterna, não humana ainda, mas divina.
Jesus pode dar a Vida Eterna porque Ele mesmo sempre a teve, antes de sua Encarnação (1Jo 1,2).
Jesus mesmo dá a Vida Eterna através de sua vida e ensino: Jo 6,47.68; quem comer de sua carne e beber de seu sangue terá uma Vida Eterna (Jo 6,54). Quem a receber de Jesus jamais será separado dele (Jo 10,28).
Jesus explica o que é a Vida Eterna: é "conhecer a Deus e ao Filho de Deus", isto é, entendendo biblicamente o "conhecer"; amar a Deus e a seu Filho (Jo 17,2-3). Somente quem sabe o que o amor significa pode entender, portanto, o que é a Vida Eterna. Jesus sabe o que significa o Amor a Deus e ao próximo. Ele pode nos ensinar isto. Portanto por meio dele entendemos o que é Vida Eterna: Amor sem fim, eternamente, por Deus e pela comunidade humana toda, por todas as criaturas de Deus.
E a vida que vivemos no tempo, não ainda na eternidade? O que tem a ver com a Vida Eterna?
Jesus ensina que é loucura ocupar a vida presente com coisas que nos façam perder a Vida Eterna: Jo 6,27; quem prefere a vida da terra à Vida Eterna, vai perder as duas: "quem ama sua vida a perde, mas quem pretere sua vida presente por causa da Vida Eterna, vai ganhar a Vida Eterna: Jo 12,25.
Só é válido em nossa vida presente o que garante a Vida Eterna. Desnecessário, inútil, inválido e até proibido por Deus é tudo o que a impossibilita:
· coisas desnecessárias: vaidades humanas (beleza, cultura do corpo, propriedades além do necessário, fama, admiração dos outros, prestígio, superioridade em relação a outros etc.)
· coisas inúteis: tudo o que faz perder tempo: diversão, lazer exagerados, caprichos etc.
· coisas inválidas: tudo o que não serve nem para os outros nem para o bem pessoal em vista da Vida Eterna: faz perder o sentido da vida: paixões de todos os tipos, coisas só negativas; entre estas coisas estão os falsos princípios: "Deus não existe" (Sl 14,1; 53,1), "não há Vida Eterna", comamos e bebamos, amanhã morreremos" (1Cor 15,32); "Só a mente humana nos pode salvar dos males deste mundo". "Não faz sentido falar de Fé, Salvação, Vida Eterna".
· coisas proibidas: Deus mesmo se encarregou de indicar os impedimentos à Vida Eterna dando-nos seus mandamentos. Por sua vez a Igreja nos ensina com seus próprios os mandamentos.
Sabemos que no Batismo recebemos o Espírito Santo (Mc 1,8).
São Paulo diz que é preciso, nesta vida, "semear para o Espírito Santo" para merecer a Vida Eterna (Gl 6,8). Como? Ele quer dizer que quem vive somente em função dos próprios gostos, egoísmos, caprichos, maldades, isto é, "semeando na carne", vai perder a Vida Eterna, uma vez que se esqueceu dela e quis gozar dos prazeres desta vida numa contínua lista de pecados.
Estas reflexões sobre a Vida Eterna nos levam a pensar na vida que vivemos na terra. Qual valor ela tem? É nosso uso do tempo que nos faz ver quanto nossa vida vale: só tem valor o tempo que for usado em vista da Vida Eterna; não tem valor quando perdido com inutilidades ou para o Pecado, impedimento para a Vida Eterna. Tudo passa, não volta mais. Tudo fica decrépito, tudo se decompõe, tudo se corrompe: tesouros, dotes humanos, grandes biografias, mesmo que daí algum um bem venha para a Vida Eterna.
Afinal, o que é a Vida Eterna?
· Seu começo está no fim do tempo dos seres humanos; o tempo tem fim; a eternidade não.
· é a nova e definitiva dimensão da existência, a que somente Deus sempre teve. 
· A Vida Eterna não é apenas a eternidade que anula o tempo; é Vida em plenitude: sem um limite, sendo, portanto, dom de Deus; ora, se Deus nos dá um este que é o maior dom, Ele o faz pelo Amor que tem por suas criaturas; terminado nosso tempo na terra, poderemos realizar o que nunca conseguimos antes de nossa ressurreição: pleno amor a Deus e aos outros, sem limites nem perdas para cada um; serenidade sem limites, com bondade, alegria sem fim, realização da maior de todos os anseios humanos, o de ser como Deus (Gn 2), com imortalidade, conhecimento do bem e do mal, ser como Deus;
· mas tudo isto de modo infinitamente superior a toda expectativa ou ambição humana: através da adoção por Deus de nós como seus filhos: como o Filho de Deus vivia eternamente com Deus, em sua Encarnação fez-se Homem para levar os seres humanos a terem a Vida de Deus, imersos na Trindade, Plenitude de Vida:
· O Filho, sendo Encarnado como Homem e Ressuscitado como Deus e Homem, nos dá a Vida Eterna que agora ele tem enquanto Homem, semelhante a nós;
· O Pai nos vê como imagens de seu Filho (Rm 8,29), nos adota como seus filhos (Ef 1,5);
· O Espírito dado no Batismo nos dá a consciência e percepção da filiação divina (Gl, 4,6; Rm 8,15s; Ef 1,5.13);
Efeitos desta compreensão no momento presente e antes da morte:
a. não convem dar valor absoluto aos bens desta vida: mesmo o que é bom nesta vida, liberdade, afetos, perfeição, segurança econômica etc., tudo passa com o tempo. Não convém ficar preso a estes bens, porque não serão jamais definitivos. Até os bens desta vida podem nos distrair do Bem último, ou mesmo nos impedir de alcançá-lo, caso nos levem à ruptura com Deus.
b. não se impressionar com o que nos acontece de mal, o que nos frustra, decepciona, no relacionamento com os outros: ofensas, calúnias, menosprezo, furtos, desentendimentos, aversões etc. Tudo passa com o tempo, também o mal desta vida.
c. abandonar tudo o que for impedimento para alcançar a Vida Eterna: contra as formas de vaidade, orgulho, soberba, coisas que passam e deixam um rastro de males, pecado e morte.
d. valorizar tudo o que nos leva a alcançar a Vida Eterna: a fé, esperança, caridade, humildade, oração, vida sacramental, vida eclesial, comunitária, pastoral etc.
e. valorizar o que será definitivo com a Vida Eterna, tudo o que diz respeito ao nosso relacionamento e união com Deus e com seus filhos, ou seja, a Caridade:
- o Primeiro Mandamento é Amar a Deus. Se Deus exige isto, é porque para Ele nos ama primeiro; a Vida Eterna consiste no Amor a Ele. Tal Amor a Deus é de tal forma consistente e pleno sentido de nossa vida, que não pode ser saboreado suficientemente no tempo. Por isso Deus nos tira do tempo - o tempo acaba - e nos coloca na eternidade.
- valorizar: tudo o que a Caridade fraterna ensina: Amar ao Próximo, com tudo o que 1Cor 13 nos ensina, isto é, valorizar a humildade contra as formas de vaidade, orgulho, soberba, ódio, ressentimentos, menosprezo, esquecimento, falta de perdão, impaciência, avareza, coisas que passam e deixam um rastro de males, pecado e Morte, ou seja, o oposto à Vida Eterna.

Pe. Valdir Marques SJ
ISI-CES

2 comentários:

Unknown disse...

Texto divinamente inspirado e edificante.

Rui Brito Ferreira disse...

Texto divinamente inspirado e edificante.